Na Mira

Anderson Rodrigues, o "01", e Andresa Tayna, a "dama da organização", torravam o dinheiro de furtos de Hilux e SW4 em viagens paradisíacas

Carlos Carone

08/10/2026 06:50

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Beijos apaixonados, cenários paradisíacos no Rio de Janeiro e uma rotina de luxo ostentada passo a passo nas redes sociais. Por trás das fotos emolduradas por pontos turísticos cariocas e do clima de romance, o casal Anderson Rodrigues e Andresa Tayna escondia a liderança de uma bem estruturada organização criminosa especializada no furto de caminhonetes de alto valor no Distrito Federal.

Enquanto trocavam declarações de amor e gastavam o dinheiro amealhado com os crimes, ambos desempenhavam papéis centrais no esquema. Morena, esguia e com tatuagens espalhadas pelo corpo, Andresa era a “dama da organização”, responsável por alugar os veículos utilizados como carros de apoio nas ações criminosas. Já Anderson exercia o posto de “01” do bando, comandando todas as operações, articulando as invasões e definindo a divisão de tarefas do grupo.

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A rotina de ostentação e crime teve um ponto de virada na manhã desta quinta-feira (8/10), quando a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), deflagrou a Operação Rota 060. As equipes saíram às ruas para cumprir 10 mandados de prisão e 10 de busca e apreensão em diversos endereços no DF e no estado de Goiás.
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Estrutura Empresarial e Divisão de Tarefas
As investigações da Corpatri revelaram que a organização criminosa funcionava com uma rigorosa hierarquia e divisão de tarefas, atuando com verdadeira estrutura empresarial entre julho de 2025 e agosto de 2026. Ao grupo é atribuída a autoria de pelo menos 11 furtos consumados de caminhonetes Toyota Hilux e SW4 no DF.
O organograma da quadrilha funcionava em formato piramidal:
Topo (Comando): onde situavam-se os líderes — com Anderson no topo —, responsáveis pelo planejamento, comando das ações e destinação final dos veículos subtraídos.
Executores e suporte técnico: atuavam no levantamento, vigilância e escolta dos veículos. Este núcleo utilizava equipamentos e decodificadores eletrônicos de última geração para burlar a segurança dos automóveis e codificar novas chaves em poucos minutos.
Esfriamento e adulteração: após a subtração, os automóveis eram levados a locais isolados ou garagens disfarçadas (pátios de “esfriamento”) para checar a presença de rastreadores. Passado o risco, o núcleo de adulteração clonava placas e remarcava numerações de chassi e vidros.
Transporte e escolta: Os veículos eram levados para outros estados acompanhados por “batedores” (carros de apoio rented por Andresa) encarregados de monitorar barreiras policiais.
Destinação final: Na base do esquema, os automóveis eram vendidos no mercado ilícito ou utilizados diretamente como moeda de troca pelo fornecimento de entorpecentes.
O Estopim da Investigação
A ponta do novelo que levou à operação começou na madrugada de 8 de agosto de 2026, por volta das 3h40, quando uma Toyota Hilux foi furtada no Setor de Garagem e Concessionária de Veículos (SGCV), no Guará.
Atentas ao deslocamento do automóvel, equipes da Corpatri realizaram um acompanhamento tático em tempo real. A interceptação ocorreu em pleno deslocamento rodoviário enquanto a caminhonete rumava para outro estado escoltada por um carro de apoio. A Hilux foi recuperada, os executores foram presos em flagrante e, a partir dos dados colhidos na ação, os investigadores conseguiram mapear toda a cadeia de comando acima dos executores.
Enquadramento Penal
Os investigados responderão por crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão:
Organização Criminosa (Artigo 2º da Lei 12.850/13): pena de 3 a 8 anos de reclusão.
Furto Qualificado (Artigo 155, § 4º do Código Penal): pena de 4 a 10 anos de reclusão.
Adulteração de sinal identificador de veículo automotor (Artigo 311 do Código Penal): pena de 3 a 6 anos de reclusão.
As diligências prosseguem para o cumprimento dos mandados restantes e apreensão de novas provas.

