A cor de um drinque sobre o balcão iluminado entra nas decisões de Ana Trolezi, 31 anos, responsável pelo marketing do Grupo Vegas. Ana conta que os coquetéis vermelhos das casas estão entre os dez mais vendidos, uma observação que leva às conversas com a equipe de alimentos e bebidas quando uma nova carta começa a ser desenhada.“E foi nesse momento que a gente trouxe o marketing cada vez mais perto do setor de alimentos e bebidas para ajudar a concepção de cardápio, do conceito da casa”, afirma Ana. O trabalho chega à escolha do acabamento do copo e à leitura do cardápio sob a iluminação do bar. Ana usa o desempenho dos pedidos e os comentários dos clientes para discutir ajustes com quem cria e serve as bebidas.Isso é marketing puro. Ana cuida da imagem das marcas, e isso vira reflexo das postagens nas redes sociais. Ela trabalha diretamente com Facundo Guerra e cuida do marketing de cinco operações: Formosa Hi-Fi, Love, Edifício Rolim, Bar dos Arcos e Altar, que trabalha com casas flutuantes.Seu expediente começa às 10h e vai até as 18h, quando abre a primeira operação da noite. Manter esse horário exige combinar a rotina com as equipes e explicar o papel do departamento. Como costuma dizer aos colegas: “Eu não preciso trabalhar à noite”. Precisa estar cedo no trabalho para examinar o que aconteceu nas casas e definir o que será feito antes de as portas abrirem.Ana saiu de Varginha, no sul de Minas Gerais, para morar em São Paulo há cerca de dez anos. Chegou com R$ 500 no bolso e um trabalho em marketing. Sua primeira chefe na cidade foi Rafa Cappai, mentora de economia criativa. Enquanto trabalhava, cursou Letras na USP.A formação continua presente no interesse por linguagem e na maneira como participa da construção dos cardápios, procurando entender o que cada casa pretende contar e como essa ideia será compreendida por quem se senta ao balcão.A relação com o Grupo Vegas começou aos 26 anos, no período de retomada após a pandemia, e inclui um período de afastamento. Ana conta que chegou a se cansar da noite, da qual diz não ser frequentadora habitual. Ao longo desses quase cinco anos, ganhou autonomia para trabalhar com as marcas. Na chegada, o setor de alimentação e hospitalidade ainda procurava entender como seria a volta do público. Foi nesse contexto, relata, que o marketing se aproximou da equipe de alimentos e bebidas para participar da concepção dos produtos e dos cardápios.A autoridade para decidir nem sempre era reconhecida por quem vinha de fora. Em reuniões com possíveis parceiros, havia quem perguntasse pela agenda de Facundo, como se ela estivesse ali para administrar os compromissos dele. Ana também se lembra de ouvir de uma mulher: “Ai, mas você é tão menininha, né?”. A observação foi feita numa reunião em que o poder de decisão estava com ela. Ao recordar os episódios, diz que precisou amadurecer e aprender a se afirmar diante de pessoas que a tratavam como assistente, apesar da função que ocupava.As conversas com outras mulheres ajudaram nesse processo. Ana cita a amizade com Lili Scott, sócia de Facundo, e com outras, a troca com Mia Rossi, que foi responsável pela coquetelaria do grupo.Em seu cotidiano, encontra mulheres no financeiro, nos recursos humanos e no administrativo. Sua desenvolvedora também é mulher. A escolha se estende às contratações de serviços.“Nossa preferência sempre é contratar uma mulher, tratar com uma mãe”, afirma. Entre as parceiras a quem recorre está a B2Mamy, de Dani Junco, voltada à conexão de mães e mulheres no trabalho.O conteúdo da agenda mostra o quanto as marcas pedem abordagens diferentes. Ana conta que, num mesmo dia, tratou de Halloween para o Edifício Rolim, de uma parceria com uma marca de produtos eróticos para o Love e da produção gráfica de um cardápio do Bar dos Arcos inspirado na América Latina. Dentro das casas, sua equipe acompanha o produto antes de ele chegar à mesa. O garnish, nome dado ao acabamento do coquetel, precisa conversar com a proposta da bebida e com a luz que incide sobre o copo.Uma carta com muitos drinques de cor âmbar pode levar a equipe a discutir outras apresentações. O cardápio também precisa funcionar para quem está no balcão e para quem se acomoda nas áreas de estar. Ana descreve essas decisões como trabalho conjunto com a operação e com os profissionais que criam as bebidas.Na Formosa, a conversa com o bartender Gabriel Szklo passou pelo conceito de uma carta organizada em lado A e lado B. Ele trazia seu repertório de historiador. Ela, a formação em Letras.Ana se envolveu na proposta e no trabalho de torná-la compreensível ao cliente: “Para além de ser um drink gostoso, ser um conceito palatável”, conta ela.A rotina inclui ainda acompanhar os comentários do público, como reclamações sobre o tamanho do gelo ou a percepção de uma bebida aguada. São retornos que ela leva à equipe para discutir o que está sendo servido e como está sendo recebido.O perfil de quem frequenta as casas orienta esse trabalho. Ana, lembra que parte do público chega por interesse turístico e quer conhecer o espaço, guardar uma lembrança da visita ou aprender alguma coisa. “Eu não estou conectando só com as pessoas que estão ali pra degustar alta coquetelaria”, diz.Essa leitura amplia as questões levadas às reuniões: a bebida precisa funcionar dentro da proposta do lugar, e a explicação do cardápio precisa alcançar também quem não acompanha o vocabulário dos bares de coquetéis.No centro de São Paulo, há ainda o trabalho de lidar com receios sobre o deslocamento. Ana conta que acompanha conversas no X e observa como os próprios frequentadores respondem a dúvidas sobre a região. Cita o apoio ao embarque e ao desembarque no Bar dos Arcos e na Formosa como parte dos cuidados da operação. Em sua avaliação, aumentou a presença de moradores de São Paulo nesses espaços, além dos turistas que já os procuravam.Ao olhar para os pedidos nos balcões, Ana percebe maior aceitação de martínis, inclusive entre clientes que antes consideravam esse tipo de bebida forte demais.Cita os três autorais do Bar dos Arcos, entre eles uma versão com pesto, e a procura pelas versões clássica e dirty, esta última feita com salmoura de azeitona, em outras operações. É uma leitura dos hábitos que acompanham no trabalho.O interesse por esses sabores tem chamado sua atenção, junto com a escolha de porções menores, tanto para beber quanto para comer.Nos coquetéis, o tamanho reduzido pode permitir que o cliente experimente preparos diferentes durante a visita. Ana recorda a experiência de pequenas doses no Bar Secreto, do Bar dos Arcos, e vê nesse formato uma maneira de apresentar novos sabores. Ela associa a procura ao desejo de escolher melhor o que se bebe, sem concluir que o público esteja consumindo mais ou menos álcool. Seu interesse está nas escolhas que compõem o pedido e no espaço que uma dose menor abre para a degustação.Na comida, a observação recai sobre pequenas porções que privilegiam o prazer de comer. O Love é o exemplo que usa: guioza de língua, rolinho primavera de berinjela e nhoque frito com molho apimentado aparecem entre as opções que menciona. São preparos de diferentes referências culinárias, reunidos num cardápio pensado para o consumo no bar.Ana vê procura por essas porções que se comem com as mãos e distingue a escolha feita numa saída à noite dos hábitos que a mesma pessoa pode manter durante o dia.O trabalho com o comportamento do público também aponta para o que Ana deseja estudar. Depois de quase dez anos em marketing, ela quer se dedicar mais à pesquisa sobre consumo e semiótica, área que estuda os signos e a produção de sentido. Quando chegou a São Paulo, morar sozinha e precisar se sustentar vinham acompanhados do medo de falhar e ter de voltar para casa. Ao falar do futuro, Ana já não descreve a mesma insegurança: “Hoje em dia eu acho que eu perdi esse medo.” A próxima etapa que pretende construir passa por reservar tempo para a universidade sem deixar de trabalhar com marketing. “Mas eu quero ter tempo de qualidade pra entrar num mestrado, talvez um doutorado.”✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Ana Trolezi estrutura o marketing do Grupo Vegas durante o dia para entender publico da noite
Ana Trolezi estrutura o marketing do Grupo Vegas durante o dia para entender publico da noite · Imagem: Source: entretenimento.r7.com
Ana Trolezi estrutura o marketing do Grupo Vegas durante o dia para entender publico da noite
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Ana Trolezi, responsável pelo marketing do Grupo Vegas
Ana Trolezi, responsável pelo marketing do Grupo Vegas · Imagem: Ana Trolezi, responsável pelo marketing do Grupo Vegas Divulgação
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Ana Trolezi estrutura o marketing do Grupo Vegas durante o dia para entender publico da noite
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Brioche, frango crocante, creme de milho, picles de maxixe, couve e maionese de mostarda Dijon, do Formosa Reprodução/Instagram @formosahifi
Brioche, frango crocante, creme de milho, picles de maxixe, couve e maionese de mostarda Dijon, do Formosa Reprodução/Instagram @formosahifi · Imagem: Brioche, frango crocante, creme de milho, picles de maxixe, couve e maionese de mostarda Dijon, do Formosa Reprodução/Instagram @formosahifi
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Drinque que leva caju caramelizado, cachaça, rum envelhecido e cítricos clarificados com leite, do Bar dos Arcos
Drinque que leva caju caramelizado, cachaça, rum envelhecido e cítricos clarificados com leite, do Bar dos Arcos · Imagem: Drinque que leva caju caramelizado, cachaça, rum envelhecido e cítricos clarificados com leite, do Bar dos Arcos Reprodução/Instagram @bardosarcos
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