Após o pedido de Donald Trump, 14 países latino-americanos e caribenhos que integram o Escudo das Américas anunciaram, nesta terça-feira (22/9), uma ação conjunta contra 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como grupos terroristas.A lista inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções brasileiras que foram designadas como organizações terroristas estrangeiras pelo governo norte-americano em junho.A declaração foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA em conjunto com os governos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.O documento prevê medidas como congelamento de bens, restrições de imigração e vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações.O texto também registra a intenção dos países de atuar de forma individual e coletiva contra as organizações listadas.A declaração ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos pedir aos integrantes do Escudo das Américas que adotassem a classificação americana dos grupos e aplicassem sanções contra as 24 organizações.“Hoje, estou pedindo a todas as nações do Escudo das Américas que designem formalmente os narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade”, afirmou Trump durante reunião da iniciativa, em Nova York.PCC e CV na listaO PCC e o CV aparecem, respectivamente, nos itens 16 e 17 da lista de 24 organizações incluídas na primeira ação conjunta anunciada pelos integrantes do Escudo das Américas.A relação também inclui grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Clã do Golfo, Exército de Libertação Nacional (ELN) e Sendero Luminoso.O documento não estabelece uma legislação única para os países participantes. Em vez disso, prevê que cada governo adote as medidas cabíveis dentro de suas próprias normas.Entre as ações mencionadas estão o bloqueio de ativos, restrições de entrada e vistos, e responsabilização de pessoas que conscientemente forneçam apoio material aos grupos.Trump cobra alinhamentoDurante a reunião do Escudo das Américas, Trump apresentou o combate aos cartéis como uma das prioridades da aliança e afirmou que essas organizações representam uma ameaça à segurança do Hemisfério Ocidental.O presidente norte-americano disse que os cartéis travam uma “guerra” contra as populações da região e defendeu uma atuação coordenada dos países participantes. Segundo Trump, os Estados Unidos darão apoio às nações que atuarem contra os grupos.“Durante anos, os cartéis travaram uma guerra contra os povos deste hemisfério. Agora, nós estamos travando uma guerra contra eles”, declarou.A iniciativa reúne 19 países, segundo informações divulgadas sobre o Escudo das Américas.Brasil e México estão fora da articulação.A coalizão foi criada pelo governo Trump para ampliar a cooperação regional em áreas como segurança, combate ao narcotráfico, compartilhamento de informações e atuação conjunta contra organizações criminosas.O republicano defendeu uma política de enfrentamento ao crime organizado e às facções classificadas por Washington como organizações terroristas.O Metrópoles, no entanto, apurou com fontes do Departamento de Estado que a designação como organizações terroristas não confere, por si só, autoridade militar adicional às Forças Armadas dos Estados Unidos para atuar em territórios vizinhos.Brasil de foraA inclusão das facções brasileiras na primeira ação conjunta do Escudo das Américas ocorre em meio ao aumento da pressão de Washington sobre o governo brasileiro em relação ao combate ao crime organizado.Na última semana, o republicano afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento às duas facções, classificadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras.O governo brasileiro rejeitou a avaliação e defendeu mecanismos próprios de combate ao crime organizado e de cooperação internacional.O Metrópoles apurou, ainda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou duas propostas de cooperação aos Estados Unidos para o combate ao crime organizado e ainda não recebeu resposta de Washington.O Brasil também não aderiu ao Escudo das Américas. Na ONU, nesta terça-feira, Lula defendeu a cooperação internacional contra o crime organizado, mas ressaltou a soberania dos países e rejeitou a transferência do controle de fronteiras ou de instalações militares brasileiras a outras nações.





