Claudia Meireles

O festival Burning Man terminou a edição de 2026 com três mortes registradas durante os noves dias de programação; saiba mais

Beatriz Bonfim, Claudia Meireles

09/09/2026 20:01

Hairballusa/ Getty Images

Um dos maiores eventos de contracultura do mundo, o Burning Man terminou a edição de 2026 com um recorde negativo: três mortes registradas durante os nove dias de programação, o maior número em um único ano na história do evento, segundo levantamento do Reno Gazette Journal. Realizado entre 30 de agosto e 7 de setembro, o festival acontece anualmente em Black Rock City, cidade temporária erguida no deserto de Black Rock, em Nevada, nos Estados Unidos.
Segundo o jornal The Guardian, os casos ocorrem em um momento de mudança no perfil do público, com aumento da presença de pessoas na faixa dos 40 e 50 anos. A média de óbitos até a edição deste ano era de apenas uma morte, ligada a emergências médicas, acidentes e overdoses.
O xerife do condado de Pershing, Jerry Allen, comentou a situação: “Embora tenhamos uma média de uma morte por ano no festival, já tivemos duas este ano dentro das dependências do evento e recebi informações sobre uma terceira pessoa que morreu a caminho de um hospital em Reno”, afirmou em comunicado ao Reno Gazette Journal.
Vítimas do Burning Man 2026
A primeira vítima foi Sampson Tshombe, de 62 anos, encontrado caído em uma rua de Black Rock City na tarde de 3 de setembro. Equipes de emergência tentaram reanimá-lo e o encaminharam ao centro médico local, onde a morte foi constatada.
Dois dias depois, em 6 de setembro, Craig Mann, de 60, foi encontrado sem vida no trailer que dividia com o parceiro e outras pessoas do acampamento.
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Após o encerramento da edição, o festival confirmou a terceira vítima: Armando Ramirez, de 51, que passou mal e morreu durante transferência para um hospital em Reno. As autoridades não encontraram indícios de crime em nenhuma das ocorrências, mas os casos ainda seguem sob investigação.
O festival Burning Man teve recorde de mortes na edição de 2026
Em evidência, festival foi criado há 40 anos
As fatalidades representam uma mancha na história do festival, realizado há 40 anos. Desde sua criação, o encontro contracultural também ganha uma faceta cada vez mais cara e glamourosa. Prova disso é que, na edição de 2026, nomes como Paris Hilton, Cara Delevingne e Scott Eastwood circularam pela Black Rock City.
Ao todo, 70 mil pessoas passaram pelo evento que teve o tema Axis Mundi (eixo do mundo, em tradução livre). Os ingressos para a experiência chegaram a custar US$ 3 mil, cerca de R$ 15,3 mil, em algumas modalidades. O valor não inclui despesas com deslocamento, alimentação e estrutura necessária para passar vários dias no deserto.
O encontro contracultural também ganha uma faceta cada vez mais cara e glamourosa
Relembre a criação
O cenário atual é bem diferente daquele que deu origem ao Burning Man. Em 1986, os amigos Larry Harvey e Jerry James participaram de um encontro no solstício de verão em Baker Beach, praia em São Francisco. Na época, era comum que a comunidade local se reunisse em volta de fogueiras para construírem escultura com materiais encontrados no local.
Em um desses encontros, a dupla Harvey e James decidiu fazer algo diferente: construíram uma figura humana de madeira e a incendiaram diante de um pequeno grupo. O gesto, inicialmente espontâneo, atraiu curiosos e voltou a se repetir nos anos seguintes. Com a boa adesão da população até meados de 1990, as autoridades impediram uma nova queima em Baker Beach e a celebração teve que mudar de endereço.
Com ajuda de integrantes da Cacophony Society, coletivo contracultural de São Francisco, o grupo levou a estrutura para o deserto de Black Rock, em Nevada. Os participantes, então, criaram a atual Black Rock City, uma metrópole temporária erguida e desmontada a cada ano.
Esse o caráter colaborativo do evento que atrai o público ano após ano. Quem circula pelo festival não está interessado apenas na música eletrônica, mas em participar ativamente de a toda montagem, desde instalação dos acampamentos, curadoria de obras de arte até a organização das festas, performances e atividades.
Ao final de cada edição, o Man, que dá nome ao encontro, é incendiado diante do público, repetindo o ritual iniciado na praia de São Francisco.
O caráter colaborativo do evento atrai o público ano após ano
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