Igor Gadelha

Núcleo duro da campanha de Lula avalia que investigação do Dark Horse pode encerrar ciclo de pressão e retomada da agenda propositiva

Carolina Nogueira

12/09/2026 07:00

Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Lula espera que as revelações do Caso Dark Horse encerrem o “inferno astral” que se arrastou pelos últimos 40 dias e deixou o petista exposto aos ataques de seu principal adversário na eleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Nesse período, uma sucessão de crises colocou a campanha de Lula na defensiva. Nessa conta, estão as investigações contra Lulinha, Marcola e a recente crise no STF após vir à tona a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

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Lula durante ato antes das eleições
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
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Presidente Lula
PT/YouTube/Reprodução
Embora a crise no Supremo não tenha relação direta nem com o governo, nem com Lula, a avaliação interna na campanha é de que o episódio acabou respingando no presidente. Isso porque a imagem do petista é bastante atrelada à do ministro do STF.
Ciente dos estragos, Lula precisou se manifestar publicamente para defender as investigações “doa a quem doer” e tentar afastar qualquer associação política com Moraes. O petista, contudo, ainda não soltou totalmente a mão do ministro do Supremo.
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A sequência de episódios negativos gerou apreensão, segundo um dos principais coordenadores da campanha à reeleição de Lula. O sinal de alerta veio, sobretudo, das pesquisas eleitorais, que mostraram um avanço de Flávio nas últimas semanas.
Levantamento da Quaest divulgado em 7 de setembro, por exemplo, mostrou Lula e Flávio numericamente empatados em um eventual segundo turno, com 41% cada. A mesma pesquisa apontou que a desaprovação do governo chegou a 50%, ante 43% de aprovação.
Agora porém, o humor começa a mudar no QG petista. Um dos coordenadores do núcleo duro da campanha afirmou à coluna, sob reserva, que há a expectativa de que as investigações envolvendo Flávio no Dark Horse tirem Lula da defensiva e deem novo fôlego ao presidente.
A avaliação leva em conta as investigações da Polícia Federal sobre o uso irregular de emendas parlamentares para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro e a confirmação de que Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
A leitura é de que, com as atenções voltadas para Flávio e o presidente do STF, Edson Fachin, assumindo a condução da crise na Corte, a campanha de Lula poderá voltar a concentrar esforços nas propostas para um eventual quarto mandato e na comparação entre os governos dele e de Jair Bolsonaro.
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A crise no STF vinha sendo acompanhada pessoalmente por Lula. Como mostrou a coluna, o presidente teve conversas reservadas com Fachin e outros ministros da Corte para medir suas manifestações públicas e evitar que o desgaste da Corte contaminasse ainda mais sua campanha.
Ajustes na campanha de Lula
Para tentar superar de vez o inferno astral, a direção nacional do PT fez uma reunião de emergência na quinta-feira (10/9) para realinhar estratégias. O diagnóstico foi de que a mudança de conjuntura exige que Lula e a campanha subam o tom sobre alguns temas.
Entre as prioridades estão a defesa de uma reforma política e do Judiciário, com propostas como a ampliação das atribuições do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), além da adoção de mandato para ministros do STF.
Outra conclusão da reunião foi a necessidade de aumentar a presença de Lula nas redes sociais. Segundo integrantes da campanha, o próprio presidente está convencido de que precisa aparecer mais em vídeos e participar de forma mais ativa da comunicação digital.
A reunião ocorreu após uma série de críticas internas à passividade e à desorganização da campanha de Lula. Como mostrou a coluna, lideranças petistas, como o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vinham cobrando mudanças na estratégia eleitoral.


