O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acusou, nesta quarta-feira (9) o partido de inspirações nazistas AfD de apoiar a Rússia contra os interesses da Alemanha e de defender políticas anti-imigração que equivalem a uma “limpeza étnica”.Merz discursava no Parlamento alemão após a dura derrota de seu partido nas eleições no estado de Saxônia-Anhalt, no leste do país. O partido vencedor tem uma plataforma que previa a restrição da imigração e a restauração das relações com Moscou. Em um e-mail enviado à Reuters, o partido de inspirações nazistas afirmou que Merz estava deliberadamente deturpando sua posição como forma de demonizar o partido, e afirmou que suas políticas são legais. Merz está tentando recuperar a iniciativa após a derrota eleitoral de domingo (6), e seus índices de aprovação, que atingiram níveis historicamente baixos, colocaram em questão sua posição e o programa de reformas de seu governo. Ele rejeitou sugestões de que poderia renunciar.“Se o que está sendo defendido aqui, a saber, a ‘remigração’, se tornasse realidade, não seria nada além de um sinônimo de limpeza étnica com base na origem e na cor da pele”, disse Merz, em resposta a um discurso anterior da colíder do partido, Alice Weidel.Merz também criticou os apelos do partido para que se encerrasse o apoio à Ucrânia, acusando-o de estar “do lado da Rússia”, mesmo após um ataque planejado com drones a um aeroporto alemão no mês passado, que, segundo Merz, foi realizado por Moscou. A Rússia nega.O partido foi classificado como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha. Em seu programa eleitoral na Saxônia-Anhalt, o partido defendeu políticas de “remigração” para acelerar as deportações de requerentes de asilo rejeitados e criminosos estrangeiros, além de incentivar as pessoas a partirem voluntariamente.O partido também quer que os filhos de refugiados sejam ensinados em turmas segregadas.“Por ‘remigração’, a AfD se refere à deportação consistente — de acordo com a lei — de todos os estrangeiros obrigados a deixar o país; nada mais. O chanceler Merz também sabe disso”, disse o deputado Bernd Baumann em um e-mail à Reuters. “No entanto, atribuir à AfD a limpeza étnica como objetivo político é uma tentativa desesperada e sórdida de manter uma ‘barreira de proteção’ por meio de uma demonização inventada.”Merz disse que forçar os imigrantes a partir criaria uma escassez de mão de obra qualificada que acabaria sendo um tiro que sai pela culatra.“Nenhuma casa de repouso funcionará. Nenhum hospital na Alemanha permanecerá operacional, e nenhum restaurante conseguirá se manter no mercado — esse seria o resultado da política de remigração deles”, disse.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp













