Mirelle Pinheiro

Dino afirmou que investigações urgentes e diligências em andamento não podem ser interrompidas

Mirelle Pinheiro
09/09/2026 10:04
Gustavo Moreno/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou os efeitos da decisão que afastou a cúpula da Polícia Federal e impôs restrições à área de Inteligência da corporação.
Ao determinar a reintegração do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, Dino afirmou que investigações urgentes não podem ser interrompidas por um “caos administrativo” e disse que a Inteligência da PF não pode ficar sujeita ao “alvedrio de um único magistrado”.
A manifestação ocorre um dia depois de o ministro André Mendonça afastar preventivamente Andrei e Almada.
Na mesma decisão, Mendonça suspendeu a produção, elaboração e compartilhamento, inclusive internamente, de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados no exercício de funções jurisdicionais, da advocacia pública e da atividade de polícia judiciária.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle Pinheiro
Ao abordar as consequências das medidas, Dino afirmou que investigações urgentes e diligências em andamento não podem ser interrompidas enquanto o Plenário do STF não se manifestar sobre a controvérsia.
“Não é cabível que investigações urgentes e com diligências em curso, deferidas nestes autos, e em outros, sejam interrompidas em face de caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal, com a demissão de todo o seu corpo diretivo”, escreveu.
Na sequência, Dino fez referência direta à suspensão determinada na área de Inteligência. “E, o que é pior, com a determinação de suspensão de atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil, como se houvesse um único Inquérito e um único julgador a envergar a toga do STF.”
O ministro argumentou que a Inteligência Policial é uma atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública e defendeu que seu funcionamento não pode ser interrompido por decisão individual de um integrante da Corte.
“Lembro que a Inteligência Policial é atividade essencial ao Sistema Único de Segurança Pública, insuscetível portanto de suspensão ao alvedrio de um único magistrado, sob pena de frustrar a atividade legítima de dezenas de outros membros do Poder Judiciário”, afirmou.
Marielle e venda de decisões
Na fundamentação, Dino citou investigações de grande repercussão para argumentar que as atividades de inteligência da PF atendem a diferentes procedimentos e determinações judiciais, e não apenas ao caso que motivou a decisão de Mendonça.
Entre os exemplos mencionados pelo ministro está o assassinato da vereadora Marielle Franco, caso no qual ele destacou a participação de policiais entre os fatos investigados.
Dino também citou apurações sobre “compras e vendas de decisões judiciais”, uso ilegal de precatórios no mercado de capitais e financeiro, além de outros casos conduzidos pela Polícia Federal.
Embate sobre a PF
A divergência ocorre após Mendonça determinar, na terça-feira (8/9), o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. A decisão foi tomada no contexto da controvérsia envolvendo relatórios produzidos pela Inteligência da PF.
Segundo Mendonça, os documentos indicariam a realização de monitoramento e “coleta dirigida” sobre autoridades e teriam avançado sobre a análise de atos praticados no exercício de funções institucionais. O ministro também determinou a abertura de procedimentos para apurar os fatos.
Nesta quarta-feira (9/9), Dino determinou a reintegração dos dois delegados, o restabelecimento de suas atribuições e do funcionamento regular da Diretoria de Inteligência Policial.
Dino estabeleceu ainda que sua decisão seja submetida exclusivamente ao Plenário do STF.


