Vinicius Passarelli

Desistência de Salles da disputa ao Senado foi articulada por Tarcísio para fortalecer as candidaturas de Guilherme Derrite e André do Prado

Vinicius Passarelli

28/09/2026 17:03, atualizado 28/09/2026 17:04

Hugo Barreto/Metrópoles
Aliados próximos de Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm negado nos bastidores que o governador negociou algum cargo com o deputado federal Ricardo Salles (Novo) em troca de sua desistência da candidatura ao Senado.
O anúncio foi feito por Salles na manhã desta segunda-feira (28/9) após reunião com Tarcísio. O movimento foi articulado diretamente pelo governador, com o objetivo de fortalecer as candidaturas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes “oficiais” da chapa.
Após a notícia da desistência, aliados dos dois políticos passaram a especular que Tarcísio teria oferecido um cargo na sua próxima gestão a Salles. O governador é favorito à reeleição e as pesquisas apontam para possível vitória contra Fernando Haddad (PT) já no primeiro turno.
Dentro do Novo, já se falava em alguma pasta estratégica, como a Segurança Pública ou a Infraestrutura, ou duas secretarias menores. Também foi aventada a possibilidade de Salles assumir um ministério caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição para a Presidência da República.
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Sob reserva, políticos do entorno de Tarcísio negam que tenha havido alguma promessa a Salles e dizem que o deputado percebeu que ficaria isolado caso fosse até o fim da candidatura. Com isso, resolveu fazer um movimento de aproximação. Outra costura especulada entre aliados é de que o grupo político de Tarcísio poderia apoiar Ricardo Salles em uma candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2028.
Antes da desistência, ao longo da campanha, Salles já afirmava a interlocutores que, caso não fosse eleito, seu objetivo era disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028, quando Ricardo Nunes (MDB) encerrará seu segundo mandato e não poderá disputar a reeleição.
Desde 2024, quando Salles teve a candidatura preterida pelo PL, que decidiu apoiar Nunes, o deputado e o prefeito são desafetos. Por conta disso, alguns correligionários consideram remota a chance de o deputado do Novo ter o apoio para a sucessão do atual prefeito.
Caso conseguisse uma das cadeiras ao Senado na atual eleição, Salles avaliava a aliados a possibilidade de tentar o Governo de São Paulo em 2030, possivelmente contra Ricardo Nunes, que mantém o desejo de disputar o Palácio dos Bandeirantes daqui a quatro anos.
Surpresa
A desistência da candidatura, anunciada na manhã desta segunda-feira (28/9) ao lado de Tarcísio, pegou de surpresa até mesmo aliados próximos de Salles.
Um deles afirmou à coluna que o deputado recebeu um recado de Tarcísio no final da tarde deste domingo (27/9) chamando para uma reunião na manhã seguinte. Até então, Salles se mostrava confiante em manter a candidatura e procurava entender qual seria a articulação de Tarcísio.


