Tudo sobre Inteligência Artificial

ver mais

Pesquisadores da empresa de segurança Calif criaram, com ajuda de inteligência artificial, uma ferramenta capaz de invadir celulares sem que a vítima clique em links ou arquivos. O sistema foi desenvolvido em pouco mais de uma semana.

Continua após a publicidade

Chamado WeWorm, o ataque explorou uma vulnerabilidade que permitia assumir contas e se espalhar entre os contatos. Especialistas ouvidos pelo The New York Times disseram que centenas de milhões de dispositivos poderiam ser atingidos em poucas horas.

A técnica conhecida como zero-click não depende da abertura de links ou arquivos pela vítima. – Imagem: 1st footage / Shutterstock

Ataque sem clique

A ameaça usa uma técnica conhecida como zero-click. Diferentemente do phishing, que depende da abertura de um link ou arquivo, o ataque não exige esse tipo de interação.

Segundo a Calif, atender uma chamada ou simplesmente deixá-la tocar poderia permitir a infiltração. Para impedir o ataque, seria necessário recusar a ligação segundos depois do primeiro toque.

Após assumir a conta, o invasor poderia ler e enviar mensagens, fazer chamadas e controlar o perfil. Em determinadas condições, o acesso também poderia levar ao comprometimento completo do telefone.

A confiança ajuda o ataque

O worm explorava a maneira como o aplicativo concedia privilégios adicionais a números salvos como amigos. Depois que um contato era comprometido, essa relação de confiança ajudava a ameaça a alcançar outros números da agenda.

O ataque reunia características que favoreciam uma rápida propagação:

- Não exigia cliques em links ou arquivos;

- Podia passar automaticamente entre contas;

- Explorava uma vulnerabilidade desconhecida pelo fornecedor;

- Poderia comprometer completamente o telefone;

- Tinha potencial de propagação exponencial.

Vinh Nguyen, ex-cientista-chefe de dados da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), classificou o worm entre os ataques mais preocupantes que já analisou. Segundo ele, “centenas de milhões de dispositivos” poderiam ser alcançados em poucas horas.
A chamada pode ser o ponto de entrada: atender ou deixá-la tocar poderia permitir a infiltração. Imagem: Tero Vesalainen/Shutterstock
IA acelera descoberta
A Calif afirmou ter combinado modelos de IA de código aberto com sistemas avançados desenvolvidos nos Estados Unidos. A empresa não revelou quais modelos foram utilizados.
O caso chama atenção pela velocidade com que a tecnologia pode ajudar a encontrar e explorar falhas. Ainda assim, a IA não fez todo o trabalho sozinha: os pesquisadores combinaram os recursos dos modelos com experiência humana.
Leia mais:
- OpenAI anuncia R$ 5,2 bilhões para reforçar cibersegurança com IA
- Vazamentos que viraram chantagem: o padrão por trás da extorsão no mundo dos games
- Anthropic desconecta usuários do Claude após hackers roubarem sessões de login
“Algumas coisas vão dar muito errado com a cibersegurança, a menos que algumas pessoas ajam com bastante urgência”, afirmou Sam Altman, CEO da OpenAI, durante reunião com outros líderes de IA.
Continua após a publicidade
A vulnerabilidade foi corrigida depois que a Calif entrou em contato com a empresa responsável pelo aplicativo afetado. A companhia afirmou não ter motivos para acreditar que a falha tivesse comprometido a segurança ou afetado usuários. Também informou que nenhuma atualização do aplicativo era necessária.
Thai Duong, CEO da Calif, explicou que foi necessário acompanhar o processo para transformar a vulnerabilidade em um worm. O episódio mostra como a combinação entre IA e conhecimento especializado pode acelerar a transformação de uma falha de segurança em uma ameaça de grande alcance.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
Ver todos os artigos →
Tags: ataque hacker cibersegurança Inteligência Artificial segurança digital


