Desde 2023, os governos do Distrito Federal e de Goiás tentam, sem sucesso, criar uma gestão compartilhada do transporte público que circula entre a capital do país e o Entorno. Atualmente, a responsabilidade de gerir é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).As tratativas sobre a proposta estão travadas e deixam moradores dessa região com grandes expectativas, pois, uma das promessas é que as tarifas sejam barateadas após a implementação do consórcio. Leia também Entorno e GoiásEquipe de candidata em Goiás denuncia ataque a carro da campanha no Entorno Na MiraCinco faccionados do TCP são mortos em operação no Entorno do DF Na MiraSaiba quem é Dr. Pisca, advogado que bateu na esposa e enteado no Entorno Na MiraAdvogado espanca mulher e enteado no Entorno do DF e foge em seguida O principal entrave está nas condições para essa transferência. Nas reuniões entre os entes, a ANTT defendeu que a gestão seja repassada acompanhada dos passivos jurídicos e financeiros existentes o que, segundo o entendimento dos governos do DF e de Goiás, não seria possível, já que se tratam de obrigações acumuladas durante a gestão federal.Confira um histórico sobre o tema:2023DF e GO apresentam proposta de consórcio. A proposta previa gestão compartilhada e participação dos entes públicos no financiamento do sistema, com a adoção de subsídio para reduzir o peso da tarifa sobre os passageiros;2024O Ministério dos Transportes institui um grupo de trabalho com participação do próprio Ministério, da ANTT, da Infra S.A., do Governo de Goiás e do Governo do Distrito Federal, para estudar alternativas de governança, financiamento, política tarifária e divisão de responsabilidades.Após reuniões, estudos técnicos e análise de diferentes alternativas, os trabalhos convergem para a formação de um consórcio interfederativo como modelo de gestão compartilhada do transporte semiurbano entre Goiás e Distrito Federal;2025Os governos do DF e de GO chegam a um acordo para que Goiás e Distrito Federal subsidiem as tarifas do transporte coletivo do Entorno. Goiás e DF assumem o compromisso de participar financeiramente do sistema para reduzir o peso das tarifas sobre os passageiros. A proposta discutida naquele momento previa aporte de aproximadamente R$ 67 milhões por ano de cada ente, com a perspectiva de reduzir a tarifa média para cerca de R$ 8.Com o modelo de gestão definido e o acordo político entre DF e GO para subsidiar o sistema, os trabalhos avançam para a construção jurídica do consórcio, definição da governança, responsabilidades e elaboração do Protocolo de Intenções, documento necessário para formalizar o consórcio e permitir posteriormente a transferência da gestão do sistema para a nova estrutura interfederativa;2026Os governos do DF e de GO avançam na definição do desenho institucional. A estrutura passa a ser concentrada nos dois entes diretamente envolvidos na gestão compartilhada, sem condicionar a implantação do consórcio à adesão formal da União, que permanece como parceira em outras frentes relacionadas à infraestrutura e à mobilidade regional.A minuta do Protocolo de Intenções avança estruturada entre Goiás e Distrito Federal, buscando destravar a formalização do consórcio, estabelecer a gestão compartilhada e criar condições para uma política permanente de financiamento e subsídio do transporte coletivo do Entorno.Campo da implementaçãoA Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros (Anatrip) também é uma das interessadas na proposta. Em nota enviada ao Metrópoles, a entidade disse que o debate sobre o consórcio entre DF e GO precisa sair definitivamente do campo das intenções e entrar no campo da implementação.“O que precisa ser respondido é: quando essa estrutura será efetivamente implantada, qual será a participação financeira do Distrito Federal, de Goiás e da União e qual será a fonte permanente desses recursos? Não basta anunciar um consórcio. É preciso definir governança, competências, fiscalização, integração operacional, política tarifária e, sobretudo, uma fonte de custeio permanente”, pontuou a Anatrip.Segundo a associação, o transporte público do Distrito Federal e do Entorno precisa estar no centro do debate eleitoral de 2026. “DF e Goiás formam, na prática, uma única região econômica e social, mas ainda não contam com um sistema de transporte verdadeiramente integrado”, alertou.O que pensam os candidatos?Mas o que os candidatos ao GDF nestas eleições pensam sobre o assunto? A reportagem perguntou aos postulantes se eles pretendem seguir com as tratativas para a implementação do consórcio ou se têm outra proposta para resolver a questão do transporte entre o DF e o Entorno.A assessoria de Expedito Mendonça (PCO) não enviou a resposta até o fechamento desta reportagem. Confira o que cada candidato respondeu:Celina Leão (PP)“Vamos continuar buscando o entendimento para viabilizar esse consórcio. O nosso plano prevê exatamente esse trabalho conjunto com Goiás, com os municípios do Entorno e com o governo federal. Não vou desistir do consórcio, mesmo a negociação sendo difícil. Vamos sentar à mesa quantas vezes forem necessárias para encontrar uma solução que melhore o transporte do Entorno”.José Roberto Arruda (PSD)“Antes de tudo, é preciso diálogo com o governo de Goiás e com o governo federal. Vamos fazer o convênio, reduzir o preço da tarifa e melhorar a qualidade dos ônibus, que estão caindo aos pedaços. Também vamos criar as novas linhas de metrô. Quero levar o metrô de Ceilândia até Águas Lindas e fazer o metrô de Santa Maria e Gama, saindo para Novo Gama, Cidade Ocidental e Jardim Ingá”.Leandro Grass (PT)“Vou retomar as conversas para, finalmente, criarmos o consórcio, porque a integração entre o DF e o Entorno é uma prioridade. O consórcio é o instrumento para efetivar um sistema de transporte metropolitano que, hoje, não existe. Vou propor o bilhete único do Entorno, para quem vem das cidades vizinhas, pagar uma passagem só e avançar para a tarifa zero, começando por quem mais precisa”.Paula Belmonte (PSDB)“Pretendo continuar e destravar as tratativas para a criação do consórcio. No meu governo, essa integração será prioridade. Brasília não termina na divisa do Distrito Federal. Precisamos pensar a mobilidade de toda a região metropolitana. O consórcio precisa permitir integração tarifária e operacional, com planejamento das linhas e conexão com ônibus, BRT e metrô do Distrito Federal”.Ricardo Cappelli (PSB)“Vou continuar fortalecendo o consórcio e ampliando as tratativas. Precisamos levar, através do consórcio, o metrô de Ceilândia até o Setor O, à beira da BR-070, fazendo a ligação com Águas Lindas. Vamos levar o metrô até o Gama, Santa Maria, fazendo toda a ligação com o Entorno. Isso é fundamental, porque essas cidades estão integradas ao DF e é impossível pensar a mobilidade do DF sem pensar a mobilidade do entorno”.Kiko Caputo (Novo)“Vamos avançar nas tratativas para integrar de verdade o transporte público entre DF e Entorno. Se o consórcio se mostrar como instrumento adequado e viável, vamos trabalhar para viabilizá-lo. O objetivo é reduzir o custo e o tempo de deslocamento de quem mora no Entorno e precisa vir todos os dias ao Distrito Federal para trabalhar, estudar ou acessar serviços”.Professor Robson (PSTU)“Nossa proposta é articular convênios entre a TCB e os municípios do Entorno para assumir e reorganizar as linhas de ônibus. Vamos implementar a Tarifa Zero tanto no DF quanto no Entorno, além de reestruturar e reativar a malha ferroviária que liga Luziânia ao Plano Piloto, conectando essa linha com o metrô, criando uma malha integrada e rápida que encurte o tempo de deslocamento da população”.Samara Mineiro (UP)“Defendemos o fortalecimento da TCB, com investimento para que possa operar com qualidade e segurança para a população do DF e entorno. O consórcio deve ser feito a partir da criação de uma empresa pública de transporte de todo o Entorno. Junto a isso, defendemos a implementação da tarifa zero no transporte para toda a população. Acessar a cidade deve ser direito de todos”.Elisson Ferreira (Agir)“Minha proposta é avançar no consórcio com integração tarifária, possibilidade de bilhete único entre os sistemas, redução do custo da passagem, reorganização das linhas, melhoria dos terminais e planejamento conjunto para que o passageiro não precise pagar várias tarifas para completar uma viagem. Também vou implementar uma conexão inteligente entre o transporte do Entorno, os ônibus do DF e o metrô”.










