Jetée et plage de Trouville (1ère partie) (em português: Molhe e praia de Trouville (1.a parte)) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 30 em seu catálogo. Com aproximadamente 20 metros de película, equivalentes a cerca de um minuto de projeção, presume-se registrar a jetée-promenade — o molhe-passeio — e a praia de Trouville-sur-Mer, na Costa da Normandia, filmados deliberadamente em condições de mau tempo por escolha do próprio Méliès. Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje; o tema é inferido exclusivamente pelo título. O filme é considerado perdido.
Enredo Nenhuma descrição do conteúdo foi localizada nos catálogos da Star Film conhecidos até hoje. Presume-se, pelo título, que o filme registre a jetée-promenade e a praia de Trouville-sur-Mer em condições de mau tempo — possivelmente captando as ondas a bater no molhe, os barcos atracados e o movimento da costa normanda em tempo adverso. Todo o conteúdo é inferido exclusivamente pelo título.
O píer de Trouville Trouville-sur-Mer possuía em 1896 um píer portuário na foz do rio Touques, que delimita a cidade de Deauville a oeste. A estrutura era parte integrante da vida portuária da cidade — historicamente um porto de pesca ativo antes de se tornar estância balneária — e o ponto de entrada e saída dos barcos que navegavam entre Trouville, o Havre e a costa normanda. Qual píer especificamente Méliès filmou — e de qual ângulo — não é possível determinar, pois o filme está perdido e nenhuma fonte da época descreve seu conteúdo.
A viagem normanda e a escolha do mau tempo Jetée et plage de Trouville (1ère partie) faz parte da série de filmagens que Georges Méliès realizou na Costa da Normandia no verão de 1896, durante a qual produziu oito filmes em Villers-sur-Mer, Le Havre e Trouville-sur-Mer. A escolha do mau tempo como condição de filmagem não foi acidental: nos seus memórias, Méliès escreveu que *"uma tempestade estava se formando e Méliès havia escolhido propositalmente um período de mau tempo para obter efeitos mais atrativos"*. A decisão revela uma consciência estética deliberada: as câmeras da época necessitavam de luz intensa para funcionar, o que limitava as filmagens a dias com luminosidade suficiente — mas o espetáculo visual das ondas e do mar revolto, mesmo sem chuva, era considerado um dos temas mais impressionantes que o cinematógrafo podia captar para um público ainda maravilhado com a reprodução do movimento na tela. Trouville-sur-Mer era, em 1896, a mais antiga estância balneária da Normandia e uma das mais prestigiosas da França, conhecida como a *"rainha das praias"* e frequentada pela burguesia e pela bohème parisiense desde os anos 1830. O pintor Eugène Boudin realizou mais de 300 pinturas marinhas em Trouville entre 1860 e 1896 — o mesmo ano em que Méliès a filmou —, imortalizando a praia, os veranistas elegantes e o céu normando em suas telas impressionistas. A presença simultânea de Boudin e Méliès em Trouville no mesmo ano de 1896 ilustra como a cidade atraía tanto os artistas da geração anterior quanto os pioneiros das novas linguagens visuais do fim do século.
Contexto no catálogo Star Film Jetée et plage de Trouville (1ère partie) ocupa o número 30 no catálogo da Star Film, empresa fundada por Méliès em 2 de dezembro de 1896. O filme integra um conjunto de quatro títulos consecutivos filmados em Trouville-sur-Mer: Jetée et plage de Trouville (1ère partie) (n.o 30), Barque sortant du port de Trouville (n.o 31), Jetée et plage à Trouville (2ème partie) (n.o 32) e Jour de marché à Trouville (n.o 33) — o maior conjunto de títulos dedicados a uma única localidade na série de filmagens normandas de 1896.
Preservação O filme é classificado como filme perdido. O suporte em nitrato de celulose era altamente inflamável e quimicamente instável; parte significativa dos negativos foi destruída pelo próprio Méliès durante a crise financeira que se seguiu à Primeira Guerra Mundial — as películas eram queimadas deliberadamente para fundir a emulsão e recuperar o nitrato de prata nela contido, que tinha valor comercial —, e outra parte foi requisitada pelo exército francês durante o conflito. Estima-se que, dos aproximadamente 520 filmes realizados por Méliès entre 1896 e 1912, apenas cerca de 200 tenham sobrevivido.
Notas
Ver também Georges Méliès Star Film Company Trouville-sur-Mer Jetée et plage à Trouville (2ème partie) Eugène Boudin Filme perdido Filme mudo Filme de atualidade
Referências
Ligações externas Jetée et plage de Trouville (1ère partie) no IMDb