A metaiodobenzilguanidina (MIBG) é um análogo sintético da noradrenalina e da guanetidina que atua como um falso neurotransmissor na área da medicina nuclear. Devido à sua semelhança estrutural com as catecolaminas, esta molécula é captada ativamente pelas células através do transportador de noradrenalina da membrana celular (mecanismo de uptake 1) e acumulada nos grânulos de armazenamento citoplasmáticos sem sofrer qualquer tipo de metabolização. Esta propriedade biológica confere ao radiofármaco uma dupla utilidade clínica, que varia consoante o isótopo de iodo radioativo ao qual é conjugado. Quando marcada com iodo 123 (123I-MIBG), a substância emite radiação gama, sendo a ferramenta padrão-ouro para a realização de cintigrafias focadas no diagnóstico, localização e estadiamento de tumores neuroendócrinos derivados da crista neural, incluindo o neuroblastoma infantil, feocromocitomas e paragangliomas. Ainda no campo do diagnóstico, a versão com iodo 123 é aplicada na cardiologia nuclear para mapear de forma não invasiva a integridade do sistema nervoso simpático no coração, permitindo calcular a taxa de eliminação (washout) do traçador para avaliar a gravidade da insuficiência cardíaca e de disfunções autonómicas. Alternativamente, quando combinada com o iodo 131 (131I-MIBG), o composto passa a atuar como um agente terapêutico de radioterapia molecular direcionada. Nesse cenário, a emissão de partículas beta de alta energia destrói de forma seletiva o tecido tumoral hipercaptante, oferecendo uma alternativa paliativa ou curativa eficaz para doentes com neoplasias neuroendócrinas avançadas, metastáticas ou refratárias aos tratamentos convencionais.

Referências