O resultado do primeiro turno das eleições colocou um novo desafio para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): mobilizar os eleitores que não foram às urnas para que eles votem no segundo turno. Ao todo, 33.361.091 eleitores se abstiveram, o equivalente a 21,07% do eleitorado apto a votar, de cerca de 158,7 milhões de pessoas.O percentual é o maior registrado desde 1998, quando o índice chegou a 21,5%, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No entanto, historicamente, a abstenção tende a crescer do primeiro para o segundo turno. Veja:A única exceção recente ocorreu em 2022, quando houve queda na segunda etapa. A abstenção passou de 32.739.676 eleitores no primeiro turno para 32.186.397 no segundo, uma redução de 553.279 pessoas.Com a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, o PT busca ampliar a mobilização entre eleitores que ficaram fora da votação para tentar alterar o resultado da primeira etapa. Uma eventual virada de Lula dependeria, entre outros fatores, da capacidade de transformar parte desse eleitorado em votos efetivos.Para o cientista político Gabriel Amaral, a campanha de Lula não deve considerar os abstencionistas como um grupo homogêneo ou presumir que esses eleitores tenham preferência pelo PT.“Quem não compareceu no primeiro turno reúne desde eleitores politicamente desmobilizados até pessoas que enfrentaram dificuldades concretas para votar”, afirma.Segundo Amaral, a campanha pode identificar regiões com maior índice de abstenção e cruzar esses dados com áreas onde o candidato possui potencial eleitoral. A partir daí, a estratégia seria concentrar esforços de mobilização nos locais em que a participação adicional poderia representar mais votos.Ele também aponta que dificuldades práticas, como falta de informação sobre o local de votação e problemas de deslocamento, podem influenciar a ausência, enquanto o desinteresse político e a descrença são obstáculos mais difíceis de enfrentar.“Para esse eleitor, a campanha precisa demonstrar por que o resultado altera concretamente sua vida e por que seu comparecimento pode fazer diferença”, diz.Para o cientista político, o desafio não é apenas convencer o eleitor sobre uma candidatura, mas fazer com que ele considere o próprio voto relevante.“A disputa pelos abstencionistas, portanto, não é apenas por preferência política. É, antes disso, uma disputa pela decisão de participar”, afirma Amaral.O cientista político e professor do Ibmec Brasília Jackson De Toni também considera que a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas exige ações que vão além da comunicação eleitoral.Para ele, a taxa de abstenção, que ficou em torno de 21% no primeiro turno, reflete fatores. “Como um desalento estrutural com a política, a percepção de ineficácia do ato de votar e barreiras financeiras ou logísticas”.De Toni afirma que a campanha precisaria atuar em três frentes: logística, mobilização comunitária e comunicação. Entre as medidas práticas, ele destaca a articulação com governos estaduais e municipais para facilitar o deslocamento dos eleitores.“A prioridade central deve ser a articulação institucional com governadores e prefeitos para assegurar o passe livre no dia do pleito, removendo o custo de transporte como obstáculo para eleitores de menor renda”, afirma.O especialista também defende ações presenciais em regiões periféricas e áreas de maior vulnerabilidade, onde dificuldades econômicas e operacionais podem contribuir para a ausência nas urnas.Na avaliação de De Toni, o discurso também terá papel central para tentar reduzir a abstenção. Segundo ele, a campanha de Lula deve apresentar o segundo turno como uma nova etapa da disputa e criar um senso de urgência em torno da votação.“A candidatura governista precisa construir um forte senso de urgência sobre a relevância do resultado”, afirma.Para alcançar eleitores afastados do debate político, o professor avalia que a campanha deveria priorizar questões diretamente relacionadas ao cotidiano.“Para furar a bolha do desinteresse, o discurso precisa se distanciar de embates ideológicos abstratos e focar nas pautas materiais do cotidiano, como custo de vida, inflação e segurança pública”, diz.De Toni também aponta a necessidade de a campanha dialogar com o eleitorado de centro e apresentar propostas relacionadas à previsibilidade econômica e à governabilidade.*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe🗳️Eleições 2026: leia todas as notícias sobre a disputa🤳🏽Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp 📲

Na busca do eleitor que não votou, PT tem como desafio índice histórico de abstenção no 2º turno
Na busca do eleitor que não votou, PT tem como desafio índice histórico de abstenção no 2º turno · Imagem: Source: noticias.r7.com
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A cada 10 brasileiros aptos a votar, dois não compareceram às urnas Rovena Rosa/Agência Brasil - Arquivo
A cada 10 brasileiros aptos a votar, dois não compareceram às urnas Rovena Rosa/Agência Brasil - Arquivo · Imagem: A cada 10 brasileiros aptos a votar, dois não compareceram às urnas Rovena Rosa/Agência Brasil - Arquivo
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ㅤ Luce Costa/Arte R7
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