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Imagem colorida de escudo do Exército
Imagem colorida de escudo do Exército · Imagem: Daniel Ferreira/ Metrópoles

O militar do Exército soube na Colômbia que havia sido vítima do crime depois da esposa ler uma matéria publicada no Metrópoles

Na Colômbia, coronel descobre que móveis de casa foram furtados no Brasil
Na Colômbia, coronel descobre que móveis de casa foram furtados no Brasil · Imagem: Source: www.metropoles.com

Isabella Wagner, Carlos Carone

22/09/2026 18:02

Daniel Ferreira/ Metrópoles

Um tenente-coronel do Exército Brasileiro deverá ser indenizado em R$ 148.460 pela empresa de transporte e armazenamento de móveis Guarda Tudo, após ter tido os itens da família furtados de um galpão da companhia, em agosto de 2024. A condenação é do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por danos morais e materiais, além do ressarcimento de parcelas pagas com antecedência de aluguel do espaço.

A companhia terá de pagar R$ 121.700 por danos materiais; R$ 20 mil por danos morais; e R$ 6.760 do valor do aluguel pago antecipadamente pelo militar, totalizando R$ 148.460 de indenização.

O oficial soube do furto depois da esposa dele ler uma matéria publicada pelo Metrópoles em 22 de agosto de 2024, que revelou a denúncia de uma família que também foi vítima do mesmo crime, em 20 de agosto, em um box ao lado do que o coronel havia reservado.

O homem havia contratado os serviços da empresa para armazenar objetos pessoais, móveis e coisas de entes queridos que já morreram, durante o período em que estava em missão na Colômbia, em novembro de 2023.

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A sentença da juíza da 18ª Vara Cível de Brasília, a qual a Coluna teve acesso, aponta que está previsto pelo Código Civil, no Art. 629, que “o depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa depositada o cuidado e diligência que costuma com o que lhe pertence, bem como a restituí-la, com todos os frutos e acrescidos, quando o exija o depositante.” Portanto, a Justiça entendeu que houve uma falha na prestação do serviço.

O crime

O coronel do Exército conta que o box estava trancado com um cadeado junto com um lacre verde, de código F1084142, comprados por ele.

Ao desconfiar de que poderia ter sido vítima de um crime, o oficial pediu para que uma funcionária enviasse fotos do armazém, e pôde constatar que tanto o cadeado quanto o lacre haviam sido substituídos. Ele confirmou o furto após um amigo dele ir até o local realizar uma vistoria e ver que os móveis sumiram, no dia 28 de agosto daquele ano. O espaço, inclusive, já tinha sido contratado por uma terceira pessoa, no dia 1ª de junho, mesmo com o contrato ainda vigente com o militar.

A esposa do militar conta que quando leu a notícia entrou em desespero, pois estava em outro país e não podia voltar ao Brasil até o fim da missão oficial do marido. “Nós ligamos para várias pessoas em busca de ajuda”, diz.

A dona de casa contou ao Metrópoles que a família passou por uma espécie de luto ao descobrir que todos os objetos guardados tinham sumido.

“Nós vivemos uma espécie de luto, principalmente pela perda dos itens de entes queridos que não estão mais aqui. Não conseguimos recuperar nada, nenhuma foto. Eles foram cruéis”.

Além disso a mulher destaca que não receberam apoio por parte da empresa e que eles não quiseram fazer acordo.

Mais vítimas

Uma outra família também foi vítima. O Consultor de negócios Roberto Silva Soares contou ter deixado todos os móveis de casa em galpões da Guarda Tudo, em Ceilândia, enquanto a residência da família passava por reformas. O homem denuncia que a empresa sofreu um furto e todos os pertences foram levados.

Os objetos, que incluem itens de valor sentimental herdados dos pais e do sogro dele, estavam nos depósitos desde maio do ano passado. “A gente está lesado. São coisas de 14 anos de casamento, de toda a nossa vida. Tem coisa de herança dos pais, tanto o meu quanto o da minha esposa. Muita coisa mesmo”, conta.

O contrato de locação do box menciona a existência do sistema de monitoramento. A empresa alega ter vigilância 24 horas por dia, 7 dias por semana, mas não deu explicações sobre como o furto aconteceu. O homem relata, inclusive, que foi informado sobre outros furtos de outras supostas vítimas.

“Desde maio de 2023, a gente pagava certinho. Eu achei uma coisa estranha, desde junho de 2024, a gente está tentando pagar o boleto e aparecia que o boleto estava pago. A gente foi lá ver isso e eu fiquei sabendo, no dia 20 de agosto, que nossos móveis foram furtados. Eu fiquei sabendo através do segurança lá durante o dia”, explica.

Ao conversar sobre a situação com uma funcionária do administrativo da empresa, ela não passou explicações claras: “A gente entrou para poder verificar o nosso box, onde estavam os móveis. Ele me mostrou que só tinha um cadeado deles. O nosso [cadeado], que a gente colocou, não estava e nenhum lacre também. Abrimos junto com eles e não tinha nada. Ninguém sabe responder o que aconteceu, ninguém faz um pronunciamento”.

Guarda Tudo prefere o silêncio

Um boletim de ocorrência foi registrado. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). O Metrópoles entrou em contato com a Guarda Tudo. Em relação aos questionamentos sobre as informações citadas, o administrativo da empresa apenas respondeu que não tinha “nada a declarar”.