O Dia Mundial da Paralisia Cerebral foi criado em 2012 pela Cerebral Palsy Alliance (Austrália) e pela United Cerebral Palsy (EUA), unindo indivíduos e organizações de mais de 100 países.

O movimento mundial reúne, anualmente em 6 de outubro, milhões de pessoas para reconhecer, celebrar e agir em prol dos 50 milhões de indivíduos que vivem com a condição e os mais de 350 milhões de pais, familiares e cuidadores que são diretamente afetados. E por que isso importa?

A paralisia cerebral (PC) é a deficiência física permanente mais comum. Contudo, entre as deficiências, continua sendo um dos problemas de saúde global mais subfinanciados e negligenciados. Em muitas partes do mundo, pessoas com PC permanecem invisíveis — nas políticas públicas, nos dados, nos cuidados e no dia a dia. Frequentemente, são isoladas por ambientes inacessíveis, apoio limitado e estigma social, enfrentando barreiras que vão desde a falta de acesso a assistência de saúde e educação até à exclusão social e à discriminação no emprego.

– 85% das pessoas com PC em todo o mundo vivem em países de baixa e média renda;

– 85% dos casos de PC em países de baixa e média renda são potencialmente evitáveis;

– Em muitas regiões, o diagnóstico chega tarde demais e não há nenhum tipo de apoio;

– É necessário coletar mais dados globais sobre a prevalência de PC.

No Brasil, há uma carência de estudos que investiguem especificamente a prevalência e a incidência da paralisia cerebral no cenário nacional, entretanto, com base em dados de outros países, faz-se projeção do dimensionamento da PC em países em desenvolvimento e estima-se que a incidência nesses países seja de 7 por 1.000 nascidos vivos. Nos países desenvolvidos, afeta cerca de 2 a cada 1000 indivíduos.

Mensagens-chave da campanha:

– Celebração: Honrar as histórias únicas da comunidade de pessoas com paralisia cerebral. Trata-se de celebração, não de compaixão.

– Conhecimento: Dar visibilidade à paralisia cerebral, desafiando suposições ultrapassadas e substituindo estereótipos pela solidariedade.

– Ação: Promover mudanças reais em atitudes, políticas e sistemas – focando nos pontos fortes, e não nas limitações percebidas.

Ano após ano, através das vozes de pessoas com paralisia cerebral, suas famílias e organizações parceiras, uma mensagem tornou-se clara: a comunidade quer mais do que apenas conscientização – quer um movimento coordenado para impulsionar mudanças reais.

O slogan “Único e unido” chama a atenção para o fato de que cada pessoa com paralisia cerebral tem suas próprias experiências, prioridades e ideias sobre o que precisa mudar. A temática de 2026 foca no poder de unir essas vozes transformando ideias individuais de mudança em um apelo coletivo por um mundo mais inclusivo.

Dessa demanda nasceu a Cerebral Palsy Global Network (CP 360) – uma iniciativa inédita que está envolvendo governos, organizações, médicos, pesquisadores e pessoas com experiência vivida para colocar a PC no centro das atenções globais e impulsionar mudanças há muito necessárias. Desde a coleta de dados até o diagnóstico, o acesso e a defesa de direitos, a CP360 foi projetada para estimular a colaboração e a ação onde elas são mais necessárias.

O termo ‘paralisia cerebral’ descreve um grupo de desordens permanentes de desenvolvimento do movimento e da postura atribuído a um distúrbio não progressivo que ocorre durante o desenvolvimento do cérebro fetal ou infantil, podendo contribuir para limitações no perfil de funcionalidade da pessoa.

Uma das principais causas de Paralisia Cerebral, também conhecida como encefalopatia crônica não evolutiva (ECNE), é a hipóxia, situação em que, antes, durante ou após o nascimento, por algum motivo relacionado à mãe ou ao feto, ocorre falta de oxigenação no cérebro, resultando em uma lesão cerebral.

Além da falta de oxigenação, existem outras complicações, menos recorrentes, que podem provocar a PC. Entre elas estão: anormalidades da placenta ou do cordão umbilical, infecções, diabetes, hipertensão e/ou eclampsia, desnutrição, uso de drogas e álcool durante a gestação, traumas no momento do parto, hemorragia, hipoglicemia do feto, problemas genéticos, prematuridade. De acordo com o período em que ocorreu a lesão e a extensão da área afetada, a criança vai apresentar graus variados de comprometimento.

Características:

Há uma grande variação nas formas como a PC se apresenta, estando diretamente relacionadas à extensão do dano neurológico: lesões mais extensas do cérebro tendem a causar quadros mais graves. Os diferentes graus de comprometimento motor e cognitivo podem levar a um leve acometimento com pequenos déficits neurológicos até a casos graves, com grandes restrições à mobilidade e dificuldade de posicionamento e comprometimento cognitivo associado.

As alterações da parte motora incluem, problemas na marcha (como paralisia das pernas), hemiplegia (fraqueza em um dos lados do corpo), alterações do tônus muscular (espasticidade caracterizada por rigidez dos músculos) e distonia (contração involuntária dos membros).

Em casos graves, há necessidade do uso de cadeira de rodas. Já as alterações cognitivas incluem problemas na fala, no comportamento, na interação social e no raciocínio. Os acometidos também podem apresentar convulsões.

A desordem motora na paralisia cerebral pode ser acompanhada por distúrbios sensoriais, perceptivos, cognitivos, de comunicação e comportamento, por epilepsia e por problemas musculoesqueléticos secundários.

– 1 em cada 4 crianças com PC não consegue falar;

– 1 em cada 4 não pode andar;

– 1 em cada 2 tem deficiência intelectual;

– 1 em cada 4 tem epilepsia.

Tratamento:

Diversas especialidades médicas, incluindo pediatria, neuropediatria, ortopedia e fisiatria estão envolvidas no cuidado a pessoas com PC. Além da assistência médica, uma equipe multiprofissional trabalha na reabilitação, incluindo fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, pedagogo, fonoaudiólogo e psicólogo.

De uma forma geral, o objetivo do tratamento das crianças com paralisia cerebral é fazer com que elas desenvolvam o seu máximo potencial e, quando possível, adquiram a independência que será importante na vida adulta. Infelizmente, não há método conhecido para reverter a lesão cerebral. Portanto, todas as terapias buscam controlar as alterações causadas pela condição.

Na reabilitação, os profissionais de saúde podem recomendar diversos métodos para a melhora do controle dos movimentos, do equilíbrio e da força. Alguns indivíduos precisam utilizar órteses para estabilizar as articulações e controlar o posicionamento, e algumas ainda requerem o uso de algum meio auxiliar, como andador ou muletas.

Algumas causas de paralisia cerebral podem ser prevenidas antes do parto:

– Realizar o acompanhamento pré-natal. Condições como hipertensão, diabetes gestacional e infecções (por exemplo: sífilis, rubéola, toxoplasmose, etc.), quando diagnosticados e tratados em tempo adequado reduzem as chances de danos neurológicos ao bebê. Um bom pré-natal ajuda a evitar o parto prematuro, que também é fator de risco para a PC;

– Não usar drogas, bebidas alcoólicas ou fumar durante a gravidez;

– Não se expor à radiação durante a gravidez (como por exemplo em exames de Raio-X) exceto com conhecimento e prescrição do médico;

– Ter atenção e cautela para evitar traumatismos no abdome, por pancadas ou quedas;

– Comunicar ao médico se estiver utilizando algum medicamento durante a gravidez, pois vários remédios podem interferir no desenvolvimento do bebê.

Cerca de 33% dos casos de PC ocorrem durante o nascimento ou no período pós-parto. Assim, algumas medidas preventivas envolvem:

– Optar por parto onde estejam disponíveis boas condições hospitalares;

– Realizar os testes de triagem neonatal, tipagem sanguínea, teste da orelhinha;

– Amamentar;

– Vacinar o bebê de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação.

Fontes:

British Medical Journal: Best Practice

Ministério da Saúde

Ministério da Saúde 2

Secretaria da Saúde do Paraná

Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

World Cerebral Palsy Day

“Chegou a hora de agir” : 5/10 – Dia Mundial da Meningite 2026