Brasil

Na comparação com governos estaduais, municipais, Judiciário e polícias, Executivo federal é o ente com pior avaliação entre os brasileiros
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Operação da PM no Complexo da Maré em fevereiro — Foto: Fabiano Rocha / Agência O GLOBO
A pouco mais de duas semanas das eleições, a segurança pública segue a principal preocupação dos brasileiros e o trabalho do governo federal na área tem a pior avaliação na comparação com judiciário, polícias, governos municipais e estaduais, mostra a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax, divulgada nesta sexta (18). O tema foi eleito por 28% das pessoas, e a corrupção, que aparecia em quarto lugar em outra pesquisa Quaest há um mês, figura na segunda colocação (22%).
O levantamento também mostra que há alta percepção de um aumento recente da violência e de que as punições seriam brandas no país. O uso da tecnologia, como Inteligência Artificial, reconhecimento facial e câmeras inteligentes no trabalho policial, teve ampla aprovação popular. Por outro lado, a maioria dos brasileiros (58%) é contra o aumento do armamento na população.
— A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções, e demonstra a abertura dos brasileiros ao uso de tecnologia na segurança — afirma Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest.
Há um mês, uma pesquisa da Quaest, encomendada pela TV Globo em parceria com OGLOBO, apontou a violência como principal preocupação para 33% dos brasileiros, seguida de Economia (15%), Saúde (14%) e Corrupção (14%). Nesse novo levantamento, que avaliou outras perguntas, a violência repetiu o primeiro lugar, apesar da redução na porcentagem, e a corrupção teve um salto considerável, de 14 para 22%, alcançando o segundo lugar. No início dessa semana, o resultado da Quaest eleitoral já mostrava a corrupção em segundo lugar, corroborando a mudança.
Esse período coincidiu com a intensificação da crise no STF, as acusações contra o ministro Alexandre de Moraes por relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e o crescimento do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto.
Outro resultado da pesquisa que permite paralelos com as intenções de voto e a atual taxa de desaprovação da gestão Lula (50% de acordo com a Quaest) é a pergunta sobre avaliação das forças de segurança e entes federativos no tema da segurança pública.
O governo federal tem a maior avaliação negativa: para 36% dos brasileiros sua atuação é negativa, contra 26% que avaliam positivamente e 34% que tiveram opinião regular. A segunda maior desaprovação ficou para o judiciário (35%), e as melhores avaliações foram das Polícias Militares estaduais (45%) e Polícia Federal (44%). Prefeituras, polícias civis e governos estaduais também foram questionadas no levantamento.
A segurança pública tem sido um tema de destaque nas campanhas dos presidenciáveis. O candidato Flávio Bolsonaro tem destacado sua intenção de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, medida tomada por Donald Trump, presidente dos EUA, e criticada por especialistas em segurança pública, que apontam essa solução como ineficaz pois não traria avanços legais concretos no Brasil, além de abrir margem para interferências externas.
Já Lula, criticado nessa agenda, vem apostando na promessa de criação do Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso. Além disso, ele costuma repetir que o combate à violência urbana é uma atribuição principalmente dos governos estaduais.
A nova pesquisa da Quaest em parceria com a Pax, empresa de inteligência artificiai para segurança pública, dá sinais dos motivos para a alta percepção popular de preocupação com violência. Para 73% dos brasileiros, os crimes aumentaram em quantidade e estão mais violentos. Além disso, 70% acham que a violência no Brasil aumentou nos últimos dois anos, e 67% acreditam que as punições diminuíram.
Rejeição ao aumento do armamento e apoio de novas tecnologias
A flexibilização do porte de arma, que foi uma política de Jair Bolsonaro, não é bem-vista pelo brasileiro. Segundo a pesquisa, 58% dos brasileiros são a favor da restrição do armamento para a população.
Essa é a solução, porém, com mais divergência entre as perguntadas na pesquisa. O aumento do policiamento nas ruas, da inteligência e tecnologia, maior rigor nas punições, a utilização de câmaras corporais nos uniformes policiais e o investimento em educação tiveram todos mais de 90% de aprovação. As "ações duras contra facções", usando megaoperações em comunidades como exemplo e a criação de um Ministério da Segurança Pública foram apoiados por, respectivamente, 80% e 78%.
O uso de Inteligência Artificial no combate aos crimes também tem amplo apoio popular, mostra a pesquisa, em diversos tipos de aplicação. Além de 97% aprovarem a instalação de câmeras com IA para ajudar a localizar pessoas desaparecidas, 96% apoiam a IA na identificação de veículos roubados ou utilizados em crimes e na identificação de foragidos da justiça.
O reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, tem 91% de aprovação, e o uso da IA para proteger as fronteiras e reprimir facções criminosas recebeu 90% de apoio.
De forma geral, 60% responderam "totalmente favorável" ao uso de IA na segurança pública, e 26% são "mais favoráveis do que contra". Enquanto apenas 5% são "totalmente contra", e 4% "mais contra do que favorável".
Aqueles contrários ao uso de IA deram como principais motivos o risco de erro na identificação de pessoas (16%), a dúvida sobre a eficácia da tecnologia (15%), e a invasão de privacidade (12%).
— Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país, e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar — afirma David Peixoto, cofundador e CEO da Pax.
A coleta de dados para a pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro, com 2.004 entrevistas em todo o Brasil.
Mais recente Próxima Quaest: 70% dos brasileiros acham que a violência no país aumentou, e 67% vêem menos punição para criminosos


