Matheus Leitão

Fachin reduziu os poderes de Moraes, mas ainda precisa definir o que fará com as investigações concentradas nas mãos de Mendonça

Matheus Leitão
09/09/2026 18:31
LUIS NOVA/METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Edson Fachin finalmente assumiu o comando da maior crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos anos. Mas ainda falta uma decisão para que ele retome de vez a Presidência da Corte.
Nesta quarta-feira (9/9, Fachin suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Na prática, Andrei Rodrigues permanece no cargo de diretor-geral da corporação e Leandro Almada continua à frente da Diretoria de Inteligência.
Ao intervir, o presidente do Supremo deu uma reprimenda nos dois colegas. Afirmou haver risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual. Foi uma reação à guerra de liminares que expôs a divisão do tribunal e enfraqueceu a autoridade de sua Presidência.
Fachin também retirou de Alexandre de Moraes a condução do inquérito das fake news, aberto em 2019. Preservou os atos já praticados, mas determinou que o caso passe a ficar sob a responsabilidade da Presidência do STF.
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Dentro do Supremo, segundo apurou a coluna, a medida é interpretada como um movimento para encaminhar o inquérito ao fim. Fachin já havia defendido publicamente o encerramento da investigação. Agora, retirou de Moraes um instrumento que deu ao ministro enorme poder nos últimos sete anos.
A decisão, portanto, atingiu os dois lados da disputa. Fachin desautorizou Mendonça no afastamento da cúpula da PF e esvaziou Moraes ao retirar dele o inquérito das fake news.
A questão que permanece é o que o presidente do STF fará com o poder concentrado no gabinete de André Mendonça, que tem sugado atenção do país em meio à corrida eleitoral.
O ministro continua relator das investigações sobre o Banco Master e sobre as fraudes no INSS? Os dois casos têm ramificações políticas e eleitorais e envolvem personagens ligados ao governo, ao Congresso e à oposição.
Fachin suspendeu as apurações que tratam de possíveis investigações contra integrantes do Supremo, inclusive a frente sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro. Ainda não definiu, porém, quem ficará responsável por esse material nem se Mendonça continuará com todos os demais desdobramentos do caso Master.
Essa é a decisão que falta. Depois de retirar uma poderosa arma das mãos do hoje enfraquecido Moraes, Fachin terá de dizer se deixará todas as outras nas mãos de Mendonça.


