Angelo Angioni (Bortigali, 14 de janeiro de 1915 – José Bonifacio, 15 de setembro de 2008) foi um padre católico italiano e missionário no Brasil, conhecido por fundar o Instituto Missionário do Imaculado Coração e por ser o muito respeitado pároco de José Bonifacio, onde serviu por 57 anos. Está em processo de beatificação, sendo declarado venerável em 2025 pelo Papa Leão XIV.
Biografia Angelo Angioni nasceu no dia 14 de janeiro de 1915 em Bortigali, numa família modesta e profundamente enraizada na fé católica. Era o quinto filho de Antonio e Maria Grazia Angioni. Poucos meses após o seu nascimento, a 24 de maio, o seu pai foi enviado para a frente austríaca. Só regressaria dois anos depois, em 1917. Após o seu regresso, a família mudou-se para Ozieri. Moravam muito perto da Igreja de Santa Lucia, onde foram acolhidos pelos párocos, homens cultos e dinâmicos. Foi graças a eles que Angelo descobriu a sua vocação sacerdotal. O seu irmão, Giuseppe Antonio, viria a tornar-se bispo. Em 1926, ingressou no seminário de Ozieri, cinco anos depois do irmão. Para financiar os estudos dos filhos, o pai teve de vender muitos bens e trabalhar ainda mais. Mas Angelo sentiu rapidamente que a sua vocação não era ser padre diocesano, mas missionário. Em 1932, juntou-se ao Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras em Milão, onde foi acolhido pelo superior geral, o Beato Paolo Manna. Durante o noviciado, graves problemas de saúde o obrigaram a retornar para sua família em 1935. Ele concluiu seus estudos em teologia e filosofia em Ozieri Em 31 de julho de 1938, ele recebeu a ordenação sacerdotal no seminário de Cuglieri. A partir daí, foi nomeado vigário na paróquia de Santa Lucia de Ozieri. Em 1951, Angelo foi enviado como missionário para a Diocese de São José do Rio Preto, no Brasil. Ele foi designado para a paróquia de José Bonifácio, onde permaneceu até sua morte. Ele escreveu numerosos livros sobre a vida espiritual e promoveu a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Para apoiar o trabalho dos missionários europeus, ele também fundou o Instituto Missionário do Imaculado Coração (IMCI), que reunia padres e leigos brasileiros. Apelidado de "Cura d'Ars de José Bonifacio", distinguiu-se pela sua vida de oração, pela sua austeridade e pela sua proximidade aos paroquianos. Usou métodos criativos para trazer as pessoas de volta à igreja. Nos últimos anos de sua vida, pregou nos degraus de sua igreja para centenas de pessoas que vinham de toda a região. O pedido de beatificação relata que ele teve experiências místicas, incluindo locuções interiores.
Beatificação Em 2015, a Congregação para as Causas dos Santos autorizou a Diocese de São José do Rio Preto a abrir o processo de beatificação de monsenhor Angelo Angioni. Em 8 de junho de 2015, as autoridades eclesiásticas procederam à exumação dos restos mortais do padre Angelo. Seu corpo foi encontrado reduzido a ossos, exceto o coração, que estava intacto. Esta descoberta foi declarada naturalmente inexplicável pelos médicos legistas presentes na exumação, causando um frenesim nos meios de comunicação. No dia 24 de outubro de 2025, após as conclusões do processo canônico, o Papa Leão XIV reconheceu as virtudes heroicas de monsenhor Angelo Angioni, conferindo-lhe o título de Venerável. O reconhecimento de um milagre é agora o passo final antes da beatificação.
Referências
Ligações externas «Angelo Angioni (1915-2008)». Dicastério para as Causas dos Santos (em italiano) «Venerável Angelo Angioni». Santos do Brasil «Angelo Angioni». The Hagiography Circle (em inglês)