Demétrio Vecchioli

Partido orientou fiscais espalhados pelo país todo a enviar boletins ao PL assim que as urnas fechassem, às 17h

Demétrio Vecchioli

25/10/2026 21:17

Wagner Meier/Getty Images
Lucas Pavanato (PL-SP) tuitou às 18h34, que, nesta eleição, não aceitariam “perder”. Dez minutos antes, Nikolas Ferreira (PL-MG) já havia escrito que “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha”. Fabio Wajngarten, às 18h18, perguntava se ainda era cedo para falar em golpe. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não havia começado a divulgar a apuração dos votos do segundo turno, neste domingo (25/10), e a tropa de elite do PL já mostrava não confiar que venceria nas urnas.
No Pollymarkt, principal bolsa de apostas da internet, onde Flávio Bolsonaro (PL) era o grande favorito há semanas, Lula virou às 17h07, exatos sete minutos depois de fechadas as urnas. Sem a realização de pesquisa de boca de urna, como os investidores do mundo todo descobriram que o cenário havia virado?
A partir dos boletins de urna.
Ainda que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo, tenha determinado, às 17h05, que a votação continuasse até as 19h (sempre pelo horário de Brasília), a enorme maioria das urnas do país foram fechadas às 17h. E quando isso acontece, é impresso o “boletim de urna”, que diz quantos votos foram depositados naquela urna. Esse papel tem um QR Code.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
O PL, a partir de uma ampla campanha de marketing, conseguiu alistar um exército de fiscais de urna, para atuar espalhados pelo país, com até dois por sessão. Esses fiscais foram orientados a permanecerem nos locais de votação até as 17h para, encerrada a votação, escanearem esses códigos.
BREAKING: Lula overtakes Bolsonaro in Brazil’s presidential election odds, now favored to hold on to power.
70% chance.
🔗 https://t.co/QF03UVKkci https://t.co/UzEYocMtC7
— Polymarket (@Polymarket) October 25, 2026
Em poucos minutos, o PL recebeu uma porção bastante expressiva – e representativa – dos boletins de urna. Grande o suficiente, dado o tamanho desse exército de fiscais, para indicar com boa precisão o resultado da votação, apontando o padrão que se viu na apuração do TSE: Flávio crescendo pouco em cada urna e o petista subindo de 2% a 4%, em média, quando comparados apenas os fotos dados a eles em cada turno.
É a execução, em grande escala, de algo que partidos e veículos de imprensa de cidades menores fazem com frequência: somar os boletins de urnas para saber quem ganhou. A Rede Condá, de Chapecó, por exemplo, fez isso. Às 17h24, já sabia um cenário de 65% para Flávio e 35% para Lula na cidade – foi 64,5% a 35,5%. No primeiro turno havia sido 67,4% x 32,6%. Não é impacto da extensão do horário de votação, é resultado dos votos dados até 17h.
O exército de fiscais do PL gerou para o partido um caminhão de informações sobre os resultados das urnas eleitorais, grande o suficiente para o partido poder apontar se houve qualquer variação entre o resultado que saiu das máquinas às 17h e aquele divulgado pelo TSE.
Essa informação, porém, não pertence só ao PL. Redes sociais como o X (o ex-Twitter) estão repletas de imagens dos boletins de urna que, comparadas com os resultados do primeiro turno, já mostravam, desde as 17h, que Lula cresceu muito mais do que Flávio.


