Evento já está configurado no Pacífico e deve ganhar força nos próximos meses, mas mudanças no tempo ainda estão ligadas a sistemas de curta duração
Tendência é de que o fenômeno ganhe ainda mais intensidade no último trimestre do ano — Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O El Niño já está acontecendo e deve ganhar força nos próximos meses. A atualização mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumentou para 75% a probabilidade de que o fenômeno alcance uma intensidade histórica entre outubro e dezembro, superando os eventos registrados desde 1950. A agência também aponta mais de 90% de chance de que o episódio seja classificado como muito forte no período.
Segundo a meteorologista Désirée Brandt, o fenômeno já está configurado e é considerado forte. A tendência é de que ele ganhe ainda mais intensidade durante o trimestre de outubro, novembro e dezembro. A especialista explica, porém, que isso não significa que todos os eventos de chuva ou de temperatura registrados neste momento sejam provocados pelo El Niño.
"Quanto mais forte for o El Niño, maior é a probabilidade de os seus efeitos se manifestarem", afirma. A atuação do fenômeno acontece em uma escala mais ampla e influencia padrões de chuva e temperatura ao longo de determinado período. Já a chuva de um dia específico pode estar relacionada à passagem de uma frente fria, áreas de instabilidade ou outros sistemas meteorológicos.
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Então, a chuva dos últimos dias é efeito do El Niño?
A presença do El Niño aumenta a probabilidade de determinados padrões climáticos ocorrerem, mas não explica, sozinha, cada episódio de chuva registrado no país.
No Sul do Brasil, por exemplo, o fenômeno costuma favorecer períodos mais chuvosos. Já em outras áreas, pode contribuir para uma distribuição mais irregular das precipitações. No Sudeste e no Centro-Oeste, a principal influência histórica está relacionada às temperaturas, com maior probabilidade de períodos de calor.
Isso significa que a chuva pode acontecer normalmente mesmo durante um El Niño. O que muda é a tendência de comportamento da atmosfera ao longo de semanas e meses.
"Não é uma regra, não é que os seus efeitos vão estar ali o tempo todo", explica Désirée. Por isso, para saber se uma chuva específica está relacionada ao fenômeno, é preciso considerar também os sistemas meteorológicos que estão atuando naquele momento.
O que esperar das próximas semanas
A tendência é que a influência do El Niño fique mais evidente conforme o fenômeno se fortaleça. Para o campo, isso significa acompanhar não apenas o volume de chuva, mas também a regularidade das precipitações e o comportamento das temperaturas.
No curto prazo, a expectativa é de que as chuvas continuem evoluindo e permitam o avanço do plantio da primeira safra em diversas regiões. Ainda assim, períodos de falha nas precipitações e aumento das temperaturas não estão descartados.
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