Política / Eleições 2026

Relação com os Estados Unidos e ausência dos principais candidatos em debates televisivos são mencionados como marcas a disputa
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Eleições brasileiras na mira da imprensa internacional — Foto: Adam Gray, TIMOTHY A. CLARY e Evaristo Sa / AFP
O domingo começou com os principais jornais do mundo de olho nas eleições brasileiras. Veículos como New York Times, The Guardian, Le Monde e Reuters destacaram a importância do pleito para América Latina e chamaram a atenção para como os resultados podem posicionar o país na relação com os Estados Unidos. Também houve menções à ausência dos principais candidatos nos debates televisivos e à maneira como os escândalos de corrupção relacionados ao Banco Master dominaram boa parte do noticiário ao longo da disputa.
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Importância para a América Latina é destaque no The Guardian
O britânico The Guardian trouxe o tema como manchete em seu site, na manhã deste domingo, com o título "Brasil vai às urnas em eleição decisiva para o futuro da América Latina". Ao descrever o disputa, informou que "Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em uma batalha entre o presidente de esquerda e o filho de extrema-direita do ex-presidente preso".
O texto classifica o pleito como "altamente polarizado" e de "grande importância", enfatizando que o resultado pode mudar não somente os rumos do maior país da América Latina, como também de toda a região. "O Brasil é um dos poucos países latino-americanos que ainda tem um governo de esquerda, após uma onda de vitórias eleitorais de direita e extrema direita em toda a região e a tomada do poder pelos EUA na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro."
No que diz respeito à relação com os EUA, o jornal menciona o fato de Lula se posicionar como um dos últimos líderes regionais ainda dispostos a dizer "não" a Trump. O texto cita o fato de ele ter acusado o líder americano de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Bolsonaro. Este, por sua vez, segue na mesma direção que o pai, lembra o jornal. "(Flávio) elogia frequentemente o presidente americano e prometeu se juntar à coalizão liderada pelos EUA contra os cartéis de drogas, que já matou dezenas de pessoas em ataques aéreos e realizou operações militares em toda a região."
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O New York Times fala em "eleição crucial" para as Américas
O New York Times definiu as eleições brasileiras como "o maior teste até agora para a direita em ascensão na América Latina", num pleito classificado como "crucial". "A disputa também traz consequências profundas para os planos de Washington de dominar a região, colocando um presidente de esquerda que desafiou repetidamente o presidente Trump contra um aliado de direita alinhado com o líder americano em questões como crime organizado e ideologia woke."
Há, segundo o jornal americano, uma grande preocupação de que Trump possa tentar influenciar as eleições. O impacto sobre a população dos assuntos que dominaram o noticiário ao longo da disputa em torno do Banco Master também foi mencionado: "Um vasto escândalo de corrupção envolvendo grande parte da elite judicial e política, incluindo o próprio Bolsonaro, também diminuiu o entusiasmo dos eleitores".
Le Monde menciona eleições "sem brilho" e "altamente incerta"
A relação com os EUA também foi destaque no Le Monde, que descreve a campanha presidencial como "sem brilho" e "altamente incerta sob a sombra da interferência americana". O jornal francês cita o acirramento entre os dois principais candidatos e destaca que, "apesar das implicações geopolíticas sem precedentes da eleição presidencial, o resultado, moldado mais por questões internas, permaneceu altamente incerto".
O jornal havia publicado, no começo da semana, um texto assinado por mais de 30 personalidades, entre elas o cantor e compositor Chico Buarque, o ex-jogador Raí, o economista Thomas Piketty e os vencedores do Nobel de Economia Joseph Stiglitz e Philippe Aghion.Os signatários citam medidas adotadas pelo governo Trump contra o Brasil e acusam Flávio de ser “cúmplice” da influência americana nas eleições. O texto afirma que o pleito vai definir “se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia”.
Escândalos e polarização são citados pela Reuters
Já a Reuters afirma que "Brasileiros vão às urnas em eleição crucial e polarizada". A agência de notícias destaca o fato de ser uma disputa "dominada por escândalos de corrupção, ansiedade econômica e acusações de interferência dos EUA". O texto informa que uma vitória de Flávio "ampliaria uma onda de vitórias na América Latina de candidatos de direita alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto a reeleição de Lula poderia criar uma dor de cabeça para Washington, que tem entrado em conflito com seu governo sobre comércio e segurança".
O texto cita a ausência dos dois principais candidatos nos debates televisivos e a consequente falta de debate político ao longo da campanha, "apesar das crescentes preocupações com as finanças públicas do Brasil e do lento crescimento econômico".
Há, ainda, menções ao "fator Trump". A agência resgata o episódio em que o presidente americano chamou a condenação de Jair Bolsonaro, no ano passado, como uma "caça às bruxas", impondo tarifas ao país. "Lula classificou a medida como uma tentativa de influenciar as eleições e retratou a família Bolsonaro como ansiosa para agradar Washington às custas do Brasil."
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