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Os eleitores do Quebec, província do Canadá cuja maioria da população é francófona, vão às urnas nesta segunda-feira, 5, para as eleições provinciais e devem eleger um partido separatista pela primeira vez em mais de uma década.

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Pesquisas recentes apontaram que o Parti Québécois pode conquistar uma maioria entre as 127 cadeiras em disputa na Assembleia Nacional de Quebec, o que lhe daria o poder de realizar um referendo sobre a independência da província nos próximos anos.

O líder do partido, Paul St-Pierre Plamondon, prometeu que, caso seja eleito, realizará a consulta popular após a saída do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do cargo, na esperança de que a economia já tenha se estabilizado até lá.

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Pessoas de um partido rival assistem ao líder do Parti Québécois, Paul St-Pierre Plamondon, durante um debate eleitoral. Foto: Renaud Philippe/The New York Times

“Peço às pessoas que estão nos ouvindo que nos deem um mandato real, estável e forte por quatro anos”, disse Plamondon no fim de semana. “Um governo minoritário dificulta o cumprimento dos compromissos de campanha.”

Em seu plano para os primeiros 100 dias de um eventual governo, ele afirmou que se concentraria em reduzir impostos, níveis de imigração e o número de pessoas em situação de rua, bem como em melhorar a eficiência do governo.

A separação do Canadá e a formação de uma nação soberana não estão entre as principais preocupações dos eleitores quebequenses. Entre os destaques estão o aumento dos preços dos alimentos, a guerra comercial com os EUA e até mesmo a cannabis.
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Um dos motivos que coloca o Parti Québécois na liderança das pesquisas é o desejo de mudança após oito anos do partido de centro-direita Coalition Avenir Québec no poder, liderado pela primeira-ministra Christine Fréchette, que assumiu o cargo em abril, após a renúncia de François Legault.
A legenda também se beneficia da divisão do eleitorado entre outros quatro grandes partidos. No entanto, analistas políticos apontam que muitos eleitores estão descontentes com o compromisso do partido de realizar um terceiro referendo.
“O referendo é um fardo que não é pesado o suficiente para impedi-los de vencer, mas os impedirá de ir tão longe quanto gostariam”, disse o cientista político da Universidade McGill, Éric Bélanger.
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O Parti Québécois já realizou outros dois referendos sobre a independência, em 1980 e em 1995, e ambos foram derrotados. A legenda enfrenta dificuldades para convencer os eleitores a deixar o Canadá, mesmo em regiões historicamente separatistas, como Limoilou, na capital quebequense
Pesquisas recentes realizadas por diferentes institutos mostraram que apenas cerca de 30% dos eleitores do Quebec apoiam a independência, um dos níveis mais baixos em décadas.
Plamondon defende que esse pode ser o último momento para buscar a independência, já que há um aumento da imigração no Quebec e as pesquisas mostram que a grande maioria dos residentes não francófonos se opõe à independência.
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O movimento independentista do Quebec ganhou força durante a Revolução Tranquila e tem no Parti Québécois, fundado em 1968, seu principal representante. A causa está ligada à história e à cultura dos francófonos e à busca por autodeterminação, mas perdeu força nas últimas décadas, à medida que os quebequenses se tornaram mais instruídos, ricos e integrados.
“Alguns dizem que é a última chance, mas será que já é tarde demais? Tenho a tendência de pensar que sim”, disse o sociólogo da Universidade do Quebec em Montreal, Jacques Beauchemin. “O Quebec mudou a tal ponto que esse projeto está desaparecendo.”
O candidato a deputado provincial pelo Parti Québécois, Claude Villeneuve, defende que, mesmo sendo uma nação pequena, “o Quebec seria capaz de se defender, em vez de ter seus interesses subordinados aos interesses concorrentes do Canadá”.
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Villeneuve acredita que, embora o movimento tenha nascido entre os franco-quebequenses, os imigrantes e seus filhos compartilhariam dessa visão após se integrarem à sociedade quebequense. “Estou fazendo essa aposta”, disse. “Quanto mais convergirmos socialmente em torno de uma cultura comum, mais compartilharemos as mesmas visões políticas.”/Com informações do NYT
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